Depois de anos amargando perda de fiéis e consequente redução na arrecadação com dízimos, o Papa Bento XVI resolveu, em conjunto com o Sínodo dos Bispos, abrir o capital da Igreja Católica. Desde a última páscoa (23/03/2008) a Santa Sé passou a se chamar Santa Sé S/A. As ações sagradas estão sendo negociadas na Bolsa de Valores de Milão, que este ano recebeu os papéis Dominicanos como presente por seus 200 anos de existência.

Massimo Capuano, chairman da Servizio Titoli S.p.A., uma das empresas responsáveis pela gestão da Bolsa Italiana, recebeu a notícia com grande entusiasmo. “Trata-se de um momento histórico do qual temos o imenso prazer de fazer parte.” Por outro lado, Sandro Magister, vaticanista do diário italiano L’espresso, afirma que tal atitude não representará melhorias econômicas para o Vaticano caso não hajam reformas. Segundo Magister, “a perda de fiéis está ligada à estrutura de manutenção dos católicos na igreja e aos métodos usados para isso, que ao meu ver não mudaram com o tempo”.

Entretanto, os papéis do Vaticano que iniciaram na bolsa com o valor de US$ 10,00, obtiveram apreciação de 21,3% já no primeiro dia. Investidores alegam que as cotas são interessantes pelo fato de possíveis mudanças na forma como a Igreja lida com seus fiéis ocorrerem no curto prazo, o que poderá ocasionar aumento no valor dos papéis. Um desses indicativos é a liberação por parte do Vaticano do uso de camisinha no casamento (a instituição, não a cerimônia). “Isso representa uma tentativa de acompanhar os hábitos e costumes da humanidade”, afirma o megainvestidor George Soros.

A Santa Sé S/A liberou somente as ações PN, que não dão direito a voto. Estão disponíveis na Bolsa Italiana para investidores de todo o mundo. Para mais informações acesse o site da Santa Sé S/A e da Borsa Italiana.

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